quarta-feira, 30 de março de 2011

Branco


Branco Verde,
Me faz delirar em teu leito cálido.

Branco Amarelo,
Que todos eles por certo, ão de te amar.

Branco Bege,
Finges querer me conquistar.

Branco Cinza,
Elogia com mais intensidade meus defeitos.

Branco Cian,
Resolve teus problemas em mim.

Branco Magenta,
Sangra o teu vermelho, da cor de preparados de uva.

Branco Roxo,
Descobre que és o real do meu irreal...

Branco Azul,
Sustenta minhas dúvidas nas tuas incertezas.

Branco Preto,
Na minha escuridão leva a tua chama de amor.

Branco meu Branco,
Tens dúvida de que o teu amor por mim é a minha saúde?

Se tiveres menino bonito, lindo, te digo que sois a corda do meu coração...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Eu poeta"

Vou cuspir o mal que há dentro de mim.
Vou lavar minha triste alma
Mergulhando num lago de merda.
Vou comer tripas cruas e banharme de lixo.

Quero sentir o mundo podre em que estamos.
Encontrar com o odor deste planeta.
Saber como uma bactéria se sente.
Defecar encima da bandeira dos EUA.

Sabia que a tua mente fede?
Sabia que o teu pénis não existe?
Sabia que tua vagina é um brinquedo?
Sabia que você está só?

Encontrar o fundo do poço
É tão fácil como mijar.
Descobrir que não existe santo
É tão simples como morrer.

Eu odeio o falso bem.
E mais ainda o falso mal.
Eu odeio a globo.
E mais ainda o Tasso.

A mente do novo milênio
Foi cagada num pinico.
Um monte de côco eles nos fazem ouvir todos os dias.
Somos pobres ricos criados pela ganância.

Insandecidos educadores das trevas.
Demônios carnais que destroem a vida.
Cabidéla de sangue humano,
Misturado com o ridículo sorriso da Xuxa.

Enterrem a mim quando ainda estiver vivo.
Quero poder cuspir no meu caixão.
Quero poder dar um cotoco pro padre
Antes que ele dê benção final.

Vou cantar ave Maria no meu próprio velório.
Desejar a minha família pessames verdadeiros,
Pois até na morte não há verdade entre os homens.
Tudo é uma mentira.

E ai vou jogar terra encima de mim.
E dizer adeus, chorando rios de lágrimas.
Vou pegar uma rosa e jogar no caixão.
Ali estará enterrado um louco.

Apartir deste momento
Este corpo não será mais meu.
Serei uma luz apenas.
E nenhum mal me encontrará.

Estará a sete palmos o meu eu.
Aqui no mundo carnal, um novo ser nascerá,
Cheio de Raiva do mundo.
Aí o mundo terá um assassino do mal,

Um Poeta.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O coração de um negado

Negue-me o seu amor.
Negue-me seus braços.
Diga-me que não lembra.
Deixe-me morrer só.

Leva o teu perfume doce.
Não ouvirei nossas músicas.
Lembrarei de tudo que foi ruim.
Esquecerei que já amei.

Foi numa festa com cachaça e vinho que ti conheci.
Tente lembrar daquela noite.
Ela foi triste, enfim.
Lembrarei de você e dele.

Sei que no fundo ainda existe um "eu".
Talvez isso também seja sua mentira.
Mas o que importa.
Nunca ti tive, nem nunca terei.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Perdão mundo, pois pequei...

Perdão mundo, pois pequei.
Devorei todo o teu destino
E sem piedade, destruí o futuro que a ti pertencia.

Perdão mundo, pois pequei.
Derramei toda a tua água pelo vaso sanitário
E ainda, com ganância, derrubei todas as árvores do planeta.

Não renego o fato de ter sentido absoluto prazer ao fazer isso.
E não minto ao dizer que agora me arrendo,
Mas como vê, não há mais volta.

Foi gostoso demais poder despejar nas tuas veias de água
Todo o esperma e toda a sujeira que consegui jogar.
Foi empolgante poder queimar-te por completo,
Arrancando do fundo da terra tudo que era possível arrancar.

Mas meu maior orgulho foi poder fazer com que tu sumisse.
Consegui através de toda a minha prepotência, te esgotar
E sem saber o quão ruim seria, te secar até a última gota d`água.

Estou agora, num lugar sem sentido.
Pois sou um nada sem ti, e desse "nada", nada resta.
Aqui sou o presente sem tempo, sem luz, sem vento, sem amor.
Tudo se foi, e nada voltará.

Resolvi então pedir perdão e tentar conseguir voltar atrás.
Talvez não dê, mas se desse, iria fazer tudo diferente.

Em vês de construir prédios, plantaria árvores.
Ao invés de queimar uma mata, queimaria minha ganância.
No lugar de derramar um copo d'água, aguaria uma planta.

Talvez assim fosse. Ou talvez não.
Nunca sei quem sou, nem porque sou assim.
E na realidade, acredito que só peço ajuda no desespero.
E quando tudo estivesse bem, talvez eu até esquecesse disso tudo
E todo o mal eu voltaria a fazer...

Porém, mesmo já sendo tarde,
Peço perdão mundo, pois pequei...

Diêgo de Oliveira

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A morte do medo

Foi uma gota de sangue em forma verbal
Que sai da língua e entra na alma,
Desliza sobre o ar úmido do rancor
E deixa um leve cheiro de ferro velho
Que embriaga o mais feroz ébrio.

Foi uma gota de saliva em forma carnal
Que saiu da suja boca do teu texto.
Cuspido nas entrelinhas da página,
Molhando toda a pauta espiritual
E borrando as letras já esquecidas, o medo.

Teu medo ensangüentado e poetizado fugiu.
Cortado por foice cega e mal amada.
Lá no fim parou e morreu.
Não respira mais. Não existe mais.
O teu medo foi assassinado pelo momento.

E ai quando você conseguiu abrir os olhos,
Notou que o tempo havia te roubado.
Tão esperto e hábil, que nem notaste quando ele passou
E levou embora tudo que você tinha.
Sem haver escolhas, você apenas aceitou.

Agora sem o medo, perdeu-se e entregou-se.
Tava ai o carma da tua vida.
A sina do teu fim, do teu nada.
Encontrou o que não procurou.
Surgiu assim a tua guia, a coragem.

Nela você teve de prender-se,
Deleitar-se e descobrir que lá existe um amor.
E ai quando notou, ele tornou-se eterno.
Sacia-te com isso, e vive este prazer.
Descobre que tua vida é a coragem e não o medo...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Deletáveis

É só este que ai está.
É somente aquele que está aculá.
É tudo isso que você perdeu.
No seu trabalho quem manda em você sou eu.

Preciso de papel higiênico
Para higienizar minha cabeça suja.
Preciso de carbono ativado
Pra filtrar minha alma impura.

Onde estão os documentos de poder?
Quem feriu com uma faca sega a alma sem poder?
Cadê o resultado de toda a revolução Cubana?
Sumiu o pensamento do Bob "fumado" na cabana?

Somos o fim do mundo carnal.
Somos a plantação em colheita, de todo o mal.
Já fomos por força do nada, Programados.
Agora, estes arquivos falhos serão Deletados.

Denovo, tentamos o novo sem inovar.
Novamente, repetimos o erro sem errar.
Pensamos no "todo" como o "nada"
Adentramos no "Tudo" como se fosse uma mata fechada.

São quatro compassos a esmo
Em banal harmonia em dó maior, sem couchete.
São 3 oitavas acima do normal,
Que nem o agudo da vida alcança com falsete.

E acreditamos que Deus virá
Lá de cima pra nos salvar.
Esperemos então sentados irmãos.
Porque o tempo ruge, a fome mata
E o Lula só tem 9 dedos nas mãos...

Diêgo de Oliveira

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A tristeza de um amor.

Hoje não há "Blues" que me aguente,
Não haverá bar sem Brega com aguardente.
Quero poder afogar-me no leito triste de um chão
Quero poder disolver o fio triste e branco em um grão.

Foi a música que me transpassou,
Foi a letra que me iludio.
Foi o mar de sonhos que me afogou.
Foi tudo isso ao som da vóz do Dio.

Vou a algum lugar escuro e húmido pra chorar!
Vou até a ponte a pé, para jogar minhas lágrimas no mar.
Fugir talvez, porque agora não há nem um banco sujo para eu sentar.
Será que se eu morrer agora alguém irá me achar?

Ái, triste tristeza que me entristesse...
Quanto tempo eu pensei em me livrar de ti.
Quando penso que lembrei deixarte só, e sem ti, partir.
Levou minutos até conseguir enxergar que ainda não ti perdi.

Vou-me então, querer saber onde errei.
Irei assim, saber o quão tolo fui quando tentei.
Sofrer mais e mais, sem fim. O nada é o que terei...
E no fim, saber que ainda não foi suficiente o quanto chorei.

Diêgo de Oliveira